Deputado Renato Machado critica multiplicação de radares na RJ-106 e TCE-RJ abre investigação sobre contratos milionários
O assunto novamente são os radares na rodovia. O deputado estadual Renato Machado (PT) publicou um vídeo em que critica a instalação de novos equipamentos de fiscalização eletrônica na RJ-106, questionando a intenção do governo do Estado ao quadruplicar o número de radares na via.
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Gravando durante o trajeto pela rodovia, o parlamentar afirmou não conseguir nem terminar de contar os equipamentos. “Eu comecei a contar o radar, mas eu perdi a contagem”, disse o deputado Renato Machado (PT). Para ele, os radares servem menos à segurança do motorista e mais à arrecadação do Estado. “A gente sabe da máfia de caça-níquel que é isso. Quanto que as pessoas usam do radar, não pra proteger a vida das pessoas, não pra melhorar rodovia, mas pra tirar, sim, dinheiro do trabalhador que precisa percorrer essas vias todo dia”, declarou.
O deputado anunciou que enviará ofício ao governador do Estado e ao DER-RJ pedindo esclarecimentos sobre os estudos e métricas utilizados na licitação. “Qual foi o estudo que foi feito em cima disso? Qual foi a métrica utilizada pra poder fazer essa licitação milionária? Isso que o Estado tá sem dinheiro — sem dinheiro pra educação, sem dinheiro pra saúde, mas pra colocar radar na rodovia, tá sobrando orçamento”, questionou.
A crítica do parlamentar ganha peso diante de uma investigação recém-aberta pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O tribunal apura possíveis irregularidades na licitação conduzida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) para a instalação de 302 novos radares em rodovias estaduais. Os contratos somam mais de R$ 230 milhões e podem chegar a quase R$ 1 bilhão com prorrogações de até dez anos.
Na RJ-106, o DER-RJ mantém nove pontos de fiscalização eletrônica entre os quilômetros 13 e 38,2 — operando das 6h às 22h, com certificação do Inmetro. A contradição, no entanto, salta aos olhos: enquanto os radares funcionam e as multas correm, as obras de recapeamento do asfalto seguem paralisadas há mais de um ano, na altura do Parque Nanci, sem qualquer previsão de retomada.
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Buracos, remendos improvisados e irregularidades no pavimento se acumulam ao longo do trecho, tornando o tráfego perigoso para moradores e trabalhadores que utilizam a via diariamente. Para muitos maricaenses, a combinação de asfalto destruído com radar funcionando resume bem a relação do órgão com o município: a arrecadação vem primeiro, a manutenção fica para depois.


